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5/06/2004
Isauro Rodrigues está com mostra fotográfica no espaço criado pela Escelsa, na praça Costa Pereira, desde segunda feira e permanecerá aberta ao público, durante o período de atendimento, até o final do mês. São cerca de vinte e uma fotografias, que vão de naturezas mortas (mais antigas) até retratos de crianças tiradas no ano passado.
A princípio, seriam fotos rigorosamente acadêmicas, se se olhar apenas pelo aspecto plástico e onde se encontrará trabalhos em preto e branco e em colorido. Mas, se alguém se detiver alguns minutos em conversa com este fotógrafo amador, que reside há mais de 45 anos em Vitória, irá descobrir outros fatos com relação à sua vida e ao seu hobby.
Ao conversarmos, Isauro, preocupado, por não ter costume em falar frente às câmaras de TV, pediu-me para fazer uma retificação: “Respondi aereamente a uma pergunta da entrevistadora, e devo acrescentar que passaram pelo Foto Clube do Espírito Santo alguns profissionais como Pedro Fonseca, Sagrillo, Marinho Carlos e outros. Não fui professor deles, muito menos do Pedro, que foi um dos fundadores. Pedro tinha uma facilidade para obter resultados apenas pela sua visão. Tinha uma tremenda facilidade para a fotografia e temos no Foto Clube uma de suas fotos como homenagem póstuma. Devo acrescentar que o atual presidente, Magid Saade, não é só um presidente em termos honoríficos, é muito dedicado até em termos materiais. Devo ainda acrescentar que um dos grandes técnicos em ótica e outros efeitos morreu recentemente, que era o Dr. Rebouças…”
Isauro Rodrigues explica que o Foto Clube é de caráter amador e todos os sócios se reúnem à noite, de segunda a sexta-feira, depois das oito horas. Lá no Banco Mineiro, dão aulas teóricas e técnicas, além de trocar idéias e trabalhar no seu laboratório.
Quanto à mostra, o fotógrafo assim fala: “Fiquei confuso com ela. Quem enviou as fotos foi o Nilton Pimenta, ex-funcionário da Escelsa, e fotógrafo amador também. Ele inclusive fez mostra aqui neste espaço, antes do Secreta. Portanto, não selecionei, a exposição me causou uma surpresa agradável e positiva. Duas fotos aqui se me parecem, foram colocadas na montagem em homenagem ao Ano Internacional da Criança. Não há uma seqüência e há trabalhos de variadas épocas e variadas técnicas, trabalhos que estavam no Foto Clube, e já foram expostos em mostras internas e externas. Diria que há aqui mais de duas décadas de fotografias, a mais nova foi feita em Castelo, em uma quinta-feira Santa, no ano passado. Já as mais antigas são as composições de naturezas mortas, que devem ter mais de vinte anos.”
Em virtude do intenso colorido de suas paisagens, ele explica que usa o filme Infrared (infravermelho), que modifica completamente a cor natural, dando efeito de contraste intenso entre as cores. E todas as fotos foram feitas por uma antiga máquina Canon FTB. Dá ainda mais uma explicação sobre o tipo de filme: “Este filme infravermelho está sendo retirado do mercado no tamanho 35mm e será exclusivamente de uso científico, exatamente pelo contraste de cores, ideal para operações etc. É também um filme usado pelas forças aéreas para pesquisa.”
Isauro sai comigo para tomarmos um café. Fala do passado do Foto Clube do Espírito Santo, que já realizou mostras internacionais até com a participação de mais de 4.000 inscritos. Mas em virtude de crises financeiras e dos altos custos operacionais, não tem mais condições de realizar exposições de tão grande porte. Há um tanto de realística nostalgia na voz do velho fotógrafo, mas compreende que não pode contar muito o Foto Clube do Espírito Santo com verbas grandiosas que resolveriam a realização dos salões capixabas de arte fotográfica, pois, no último realizado (de dois em dois anos), já haviam expedido circular suspendendo as inscrições internacionais, mas mesmo assim chegaram ao Espírito Santo 1.144 trabalhos, dos quais foram admitidos 277. Trabalhos de quase todas as partes do mundo, como Áustria, Alemanha, Bélgica, Polônia, Rússia, Suécia, etc.
O Foto Clube continua, pela tenacidade de seus associados, mas poderia ser visto com maior generosidade pelos órgãos oficiais. Pois chegou a realizar 26 salões internacionais, conta com quase 40 anos de existência, e trata-se de uma associação de ensino para a prática da arte fotográfica.
[In A Gazeta, Vitória-ES, 11/10/1979. Reprodução autorizada pela família do autor.]
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© 2004 Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação sem prévia autorização dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.
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Isauro Rodrigues está com mostra fotográfica no espaço criado pela Escelsa, na praça Costa Pereira, desde segunda feira e permanecerá abert...
A Veterana fotografia de Isauro Rodrigues
Isauro Rodrigues está com mostra fotográfica no espaço criado pela Escelsa, na praça Costa Pereira, desde segunda feira e permanecerá aberta ao público, durante o período de atendimento, até o final do mês. São cerca de vinte e uma fotografias, que vão de naturezas mortas (mais antigas) até retratos de crianças tiradas no ano passado.
A princípio, seriam fotos rigorosamente acadêmicas, se se olhar apenas pelo aspecto plástico e onde se encontrará trabalhos em preto e branco e em colorido. Mas, se alguém se detiver alguns minutos em conversa com este fotógrafo amador, que reside há mais de 45 anos em Vitória, irá descobrir outros fatos com relação à sua vida e ao seu hobby.
Ao conversarmos, Isauro, preocupado, por não ter costume em falar frente às câmaras de TV, pediu-me para fazer uma retificação: “Respondi aereamente a uma pergunta da entrevistadora, e devo acrescentar que passaram pelo Foto Clube do Espírito Santo alguns profissionais como Pedro Fonseca, Sagrillo, Marinho Carlos e outros. Não fui professor deles, muito menos do Pedro, que foi um dos fundadores. Pedro tinha uma facilidade para obter resultados apenas pela sua visão. Tinha uma tremenda facilidade para a fotografia e temos no Foto Clube uma de suas fotos como homenagem póstuma. Devo acrescentar que o atual presidente, Magid Saade, não é só um presidente em termos honoríficos, é muito dedicado até em termos materiais. Devo ainda acrescentar que um dos grandes técnicos em ótica e outros efeitos morreu recentemente, que era o Dr. Rebouças…”
Isauro Rodrigues explica que o Foto Clube é de caráter amador e todos os sócios se reúnem à noite, de segunda a sexta-feira, depois das oito horas. Lá no Banco Mineiro, dão aulas teóricas e técnicas, além de trocar idéias e trabalhar no seu laboratório.
Quanto à mostra, o fotógrafo assim fala: “Fiquei confuso com ela. Quem enviou as fotos foi o Nilton Pimenta, ex-funcionário da Escelsa, e fotógrafo amador também. Ele inclusive fez mostra aqui neste espaço, antes do Secreta. Portanto, não selecionei, a exposição me causou uma surpresa agradável e positiva. Duas fotos aqui se me parecem, foram colocadas na montagem em homenagem ao Ano Internacional da Criança. Não há uma seqüência e há trabalhos de variadas épocas e variadas técnicas, trabalhos que estavam no Foto Clube, e já foram expostos em mostras internas e externas. Diria que há aqui mais de duas décadas de fotografias, a mais nova foi feita em Castelo, em uma quinta-feira Santa, no ano passado. Já as mais antigas são as composições de naturezas mortas, que devem ter mais de vinte anos.”
Em virtude do intenso colorido de suas paisagens, ele explica que usa o filme Infrared (infravermelho), que modifica completamente a cor natural, dando efeito de contraste intenso entre as cores. E todas as fotos foram feitas por uma antiga máquina Canon FTB. Dá ainda mais uma explicação sobre o tipo de filme: “Este filme infravermelho está sendo retirado do mercado no tamanho 35mm e será exclusivamente de uso científico, exatamente pelo contraste de cores, ideal para operações etc. É também um filme usado pelas forças aéreas para pesquisa.”
Isauro sai comigo para tomarmos um café. Fala do passado do Foto Clube do Espírito Santo, que já realizou mostras internacionais até com a participação de mais de 4.000 inscritos. Mas em virtude de crises financeiras e dos altos custos operacionais, não tem mais condições de realizar exposições de tão grande porte. Há um tanto de realística nostalgia na voz do velho fotógrafo, mas compreende que não pode contar muito o Foto Clube do Espírito Santo com verbas grandiosas que resolveriam a realização dos salões capixabas de arte fotográfica, pois, no último realizado (de dois em dois anos), já haviam expedido circular suspendendo as inscrições internacionais, mas mesmo assim chegaram ao Espírito Santo 1.144 trabalhos, dos quais foram admitidos 277. Trabalhos de quase todas as partes do mundo, como Áustria, Alemanha, Bélgica, Polônia, Rússia, Suécia, etc.
O Foto Clube continua, pela tenacidade de seus associados, mas poderia ser visto com maior generosidade pelos órgãos oficiais. Pois chegou a realizar 26 salões internacionais, conta com quase 40 anos de existência, e trata-se de uma associação de ensino para a prática da arte fotográfica.
[In A Gazeta, Vitória-ES, 11/10/1979. Reprodução autorizada pela família do autor.]
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© 2004 Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação sem prévia autorização dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.
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Carlos Chenier [de Magalhães] nasceu em Lagoa Vermelha, RS, a 29/06/1938 e faleceu em Vitória, em 1989. Foi pintor, jornalista e crítico da arte, cursou Desenho livre em Salvador, durante seis meses e dois anos de Artes Plásticas em Caxias do Sul (RS). Residiu em Colatina, com a família, de 1952 à 1960, transferindo-se para Vitória no início da década de 60, onde atuou como Crítico de Cinema em O Diário e de Artes Plásticas, em A Gazeta. Iniciou-se no jornalismo como autodidata, na antiga Folha Capixaba, onde manteve uma coluna dedicada a jovens poetas. Como pintor, participou de vários salões e mostras coletivas e realizou individuais, no período de 1962 a 1968.
3/30/2001
A mostra poesia-desenho-colocação "Varais de Edifícios", feita em conjunto por Oscar Gama Filho e Eugênio Herkenhoff, em exposição no saguão da Aliança Francesa desde terça-feira última, pode ser colocada como uma magistral obra de arte ambiental, que poderá entrar nos diversos salões de Artes Plásticas no país.
É surpreendente a criatividade, a simplicidade que alcança em cheio ao observador, a mensagem estética e filosófica. Ao se unir ao desenhista e já artista plástico Eugênio Herkenhoff, Oscar Gama Filho foi extremamente feliz, pois arranjou uma mão brilhante, capaz de em minutos, com carvão e papel, desenhar toda uma estrutura urbana que prende, dilacera, corrompe, esmaga, angustia e desumaniza o homem.
O desenhista Eugênio está com vinte anos de idade e, se peca por não ter um desembaraço maior, não fica nem um minuto atrás do poeta, pois seu traço escuro e torturado, muitas vezes pesado, dá a impressão de que é um homem com uma vivência enorme.
Houve a seguinte colocação visual entre a poesia e o desenho: um teto formado de arame farpado, simbolizando um céu. Um teto, absolutamente árido, onde despontam, dependuradas, algumas flores de plástico. Abaixo, varais estendidos em paralelas e à boa altura, com desenhos e poemas seguros com pregadores de roupa, formando corredores para que se leia e se observe o processo poético construído. E ali vamos encontrar mensagens de tal desespero ou crítica. Nada está apático, nada supérfluo, nada extravagante, apesar de uma certa pretensão de ensinar.
[...]
[In "Varais de Edifícios": uma proposta de inovação. A Gazeta, Vitória, 20/08/1978. Caderno Dois, p. 2.]
Carlos Chenier (Carlos Chenier de Magalhães) nasceu em Lagoa Vermelha, RS, 1938, e faleceu em Vitória, ES, em 1989. Foi pintor, jornalista e crítico de arte. Em Vitória foi crítico de cinema em O Diário e de artes plásticas, em A Gazeta. Iniciou-se no jornalismo como autodidata, na antiga Folha Capixaba, onde manteve uma coluna dedicada a jovens poetas. Como pintor, participou de vários salões e mostras coletivas e realizou individuais, no período de 1962 a 1968. Participou de concursos de cinema, do movimento cineclubista e publicou poemas e contos.
A mostra poesia-desenho-colocação "Varais de Edifícios", feita em conjunto por Oscar Gama Filho e Eugênio Herkenhoff, em exposiçã...
Resenha sobre a Mostra Varais de Edifícios
A mostra poesia-desenho-colocação "Varais de Edifícios", feita em conjunto por Oscar Gama Filho e Eugênio Herkenhoff, em exposição no saguão da Aliança Francesa desde terça-feira última, pode ser colocada como uma magistral obra de arte ambiental, que poderá entrar nos diversos salões de Artes Plásticas no país.
É surpreendente a criatividade, a simplicidade que alcança em cheio ao observador, a mensagem estética e filosófica. Ao se unir ao desenhista e já artista plástico Eugênio Herkenhoff, Oscar Gama Filho foi extremamente feliz, pois arranjou uma mão brilhante, capaz de em minutos, com carvão e papel, desenhar toda uma estrutura urbana que prende, dilacera, corrompe, esmaga, angustia e desumaniza o homem.
O desenhista Eugênio está com vinte anos de idade e, se peca por não ter um desembaraço maior, não fica nem um minuto atrás do poeta, pois seu traço escuro e torturado, muitas vezes pesado, dá a impressão de que é um homem com uma vivência enorme.
Houve a seguinte colocação visual entre a poesia e o desenho: um teto formado de arame farpado, simbolizando um céu. Um teto, absolutamente árido, onde despontam, dependuradas, algumas flores de plástico. Abaixo, varais estendidos em paralelas e à boa altura, com desenhos e poemas seguros com pregadores de roupa, formando corredores para que se leia e se observe o processo poético construído. E ali vamos encontrar mensagens de tal desespero ou crítica. Nada está apático, nada supérfluo, nada extravagante, apesar de uma certa pretensão de ensinar.
[...]
[In "Varais de Edifícios": uma proposta de inovação. A Gazeta, Vitória, 20/08/1978. Caderno Dois, p. 2.]
Carlos Chenier (Carlos Chenier de Magalhães) nasceu em Lagoa Vermelha, RS, 1938, e faleceu em Vitória, ES, em 1989. Foi pintor, jornalista e crítico de arte. Em Vitória foi crítico de cinema em O Diário e de artes plásticas, em A Gazeta. Iniciou-se no jornalismo como autodidata, na antiga Folha Capixaba, onde manteve uma coluna dedicada a jovens poetas. Como pintor, participou de vários salões e mostras coletivas e realizou individuais, no período de 1962 a 1968. Participou de concursos de cinema, do movimento cineclubista e publicou poemas e contos.
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