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1/01/2016
Meu caro Pechincha:
Embora tardiamente, venho trazer-lhe os meus agradecimentos pela gentileza de suas palavras, em carta de 20 de dezembro.
[...]
Sobretudo desejo que V. não perca a fé nos destinos do nosso Estado. Sei que é difícil, na sua idade e em face do amargo resultado do último pleito, conservar essa âncora e manter, viva e perene, a chama do seu entusiasmo. Mas tem V. pela frente um largo horizonte, uma árdua estrada a percorrer e verá, com o tempo, que os reveses de hoje geram os triunfos de amanhã e, muitas vezes, uma derrota significa apenas o prenúncio certo de uma vitória próxima.
Certo, sofremos e temos pena do mal que fizeram ao Espírito Santo. Sabemos que durante quatro longos anos o Estado hibernará em seu progresso e sentirá na carne as lacerações dos vexames e sofrimentos de um desatinado desgoverno. Mas há de ressurgir um dia, como nova fênix, do triste cineral de suas desilusões para retomar o caminho da prosperidade e da ordem.
Ainda não tenho planos de futuro. Pela primeira vez na vida, estou desocupado e desfrutando férias. Renunciei, como é sabido, a todos os suportes financeiros que me prendiam aqui [no Rio de Janeiro] e em São Paulo, porque entendi que não poderia ir disputar o cargo de governador do meu Estado com uma passagem de ida e volta no bolso. Se ganhasse, governaria; se perdesse, voltaria aos cômodos e bem remunerados lugares que antes ocupava. Se era uma aposta que fazia pelo destino do meu Estado, entendi que deveria perder alguma coisa. E perdi tudo. Mas não me arrependo. Sobretudo quando vejo, em moços como V., a certeza de que a nossa semente perdura e os nossos ideais não morreram.
Com os votos pela sua felicidade pessoal, receba o abraço cordial do
[In Cartas selecionadas - Jones dos Santos Neves. Vitória: Cultural-ES, 1988.]
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Rio, 13 de janeiro de 1963. Meu caro Pechincha: Embora tardiamente, venho trazer-lhe os meus agradecimentos pela gentileza de suas palav...
A Sizenando Pechincha Filho (Rio de Janeiro, 13/01/1963)
Rio, 13 de janeiro de 1963.Meu caro Pechincha:
Embora tardiamente, venho trazer-lhe os meus agradecimentos pela gentileza de suas palavras, em carta de 20 de dezembro.
[...]
Sobretudo desejo que V. não perca a fé nos destinos do nosso Estado. Sei que é difícil, na sua idade e em face do amargo resultado do último pleito, conservar essa âncora e manter, viva e perene, a chama do seu entusiasmo. Mas tem V. pela frente um largo horizonte, uma árdua estrada a percorrer e verá, com o tempo, que os reveses de hoje geram os triunfos de amanhã e, muitas vezes, uma derrota significa apenas o prenúncio certo de uma vitória próxima.
Certo, sofremos e temos pena do mal que fizeram ao Espírito Santo. Sabemos que durante quatro longos anos o Estado hibernará em seu progresso e sentirá na carne as lacerações dos vexames e sofrimentos de um desatinado desgoverno. Mas há de ressurgir um dia, como nova fênix, do triste cineral de suas desilusões para retomar o caminho da prosperidade e da ordem.
Ainda não tenho planos de futuro. Pela primeira vez na vida, estou desocupado e desfrutando férias. Renunciei, como é sabido, a todos os suportes financeiros que me prendiam aqui [no Rio de Janeiro] e em São Paulo, porque entendi que não poderia ir disputar o cargo de governador do meu Estado com uma passagem de ida e volta no bolso. Se ganhasse, governaria; se perdesse, voltaria aos cômodos e bem remunerados lugares que antes ocupava. Se era uma aposta que fazia pelo destino do meu Estado, entendi que deveria perder alguma coisa. E perdi tudo. Mas não me arrependo. Sobretudo quando vejo, em moços como V., a certeza de que a nossa semente perdura e os nossos ideais não morreram.
Com os votos pela sua felicidade pessoal, receba o abraço cordial do
[In Cartas selecionadas - Jones dos Santos Neves. Vitória: Cultural-ES, 1988.]
Jones dos Santos Neves graduou-se em Farmácia no Rio de Janeiro e, de volta a Vitória, casou-se, em 1925, com Alda Hithchings Magalhães, tornando-se sócio da firma G. Roubach & Cia, juntamente com Arnaldo Magalhães, seu sogro, e Gastão Roubach. A convite de interventor João Punaro Bley, em 1938 funda e dirige, juntamente com Mário Aristides Freire, o Banco de Crédito Agrícola (depois Banestes), tendo depois disso seu nome indicado juntamente com o de outros dois, para a sucessão na interventoria. Foi então escolhido por Getúlio Vargas como novo interventor, cargo em que permaneceu de 1943 a 1945. Em 1954 retomou seu trabalho no banco, chegando à presidência, sendo, em 1950, eleito governador do estado. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site, clique aqui)
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